Deputado admite que Iguá veio para lucrar, defende uso de dinheiro público para suprir falhas da concessionária e coloca o governo Mitidieri em um imbróglio político
Em meio à intensa movimentação do tabuleiro político sergipano turbinada pela elegibilidade de Valmir de Francisquinho (Republicanos); algumas falas acabam passando despercebidas no noticiário. Mas não deveriam.
Um exemplo claro vem do deputado federal Gustinho Ribeiro, hoje no Republicanos e com saída anunciada para o Progressistas, que concedeu entrevista à Metropolitana FM aos jornalistas Luiz Carlos Focca e Flavão Fraga. Nela, Gustinho foi direto ao ponto ao afirmar que a Iguá é uma empresa privada que visa lucro. “Beleza, tudo bem”, disse ele.
A declaração, por si só, não causaria espanto. O problema começa quando se lembra que Gustinho é padrinho político de Luciano Gois, atual presidente da Deso, indicado por ele ao governador Fábio Mitidieri (PSD) justamente para comandar a estatal responsável pelo abastecimento de água em Sergipe.
Privatizou, mas não resolveu
A pergunta que surge é simples: o que Gustinho e Luciano fizeram para fortalecer a Deso antes da privatização? Até agora, não há respostas claras. O que se sabe é que o leilão da Deso ocorreu exatamente durante a gestão de Luciano Gois, indicado político de Gustinho sem qualquer resistência pública ou tentativa de impedir o processo.
E a contradição não para aí.
Na mesma entrevista, Gustinho afirmou estar buscando recursos públicos para que a Deso substitua a Iguá no fornecimento de água em comunidades onde a concessionária não teria interesse econômico.
Dinheiro público para cobrir falha privada
Segundo o deputado, a medida seria uma “resposta” do governador Fábio Mitidieri às pequenas comunidades que ficariam fora do radar da Iguá. Gustinho chegou a mencionar valores que podem chegar a R$ 160 milhões em recursos públicos.
E aqui mora o grande nó da questão:
se a Deso foi considerada ineficiente a ponto de justificar a privatização, por que agora ela deve voltar a atuar com dinheiro do povo justamente onde a empresa privada não quer operar?
Se a Iguá recebe mensalmente valores elevados pagos pelas famílias sergipanas, por que não é cobrada a cumprir sua função social e atender quem mais precisa?
Por que o Estado precisa usar dinheiro público para fazer aquilo que a concessionária, já bem remunerada, se recusa a fazer?
Incompetente ontem, solução hoje?
A Deso foi rotulada como incapaz, ineficiente e ultrapassada. Agora, curiosamente, passa a ser vista como solução emergencial para cobrir o “desinteresse” da iniciativa privada.










